Sexta-feira, Abril 20, 2007

Pedro, 30 anos e ainda uma criança

Pedro sempre foi um menino chato. Aos 6 anos, ele tirava sarro do menino gordinho de óculos que sentava ao seu lado na pré-escola, sempre usando apelidos carinhosos que variavam de 'quatro-zóio-tampa-de-garrafa' a 'chupetinha-de-elefante'. Um pouco mais crescido, seu divertimento virou jogar bexigas d'água nos vizinhos e roubar frutas nos quintais mais próximos, até passar da condição de criança baderneira a adolescente mala.
Foi aí que a coisa piorou. Pedro não queria mais nada além de encher os outros. Bebia só pra ter um lugar garantido no grupinho dos outros meninos, e se gabava de todas as meninas que já tinha ficado (quando, na verdade, esse número era inferior a 5). Por incrível que pareça, se dava bem na escola, mais pela inteligência nata do que pelo esforço. Continuava a atormentar, já que não calava a boca nem por meio segundo durante as aulas, sempre duvidava do que os professores falavam e era um exemplo claro da prática do bullying. Irritante ao extremo, em todos os sentidos.
Quando se tocou, Pedro já era homem. Tinha passado por todos os traumas possíveis, como o primeiro emprego, o primeiro fora e a primeira vez. Tinha que andar na linha, pois não tinha mais apoio financeiro dos pais. Contudo, ainda continuava com a mesma mentalidade dos 6 anos, mas agora tinha que pensar melhor. Afinal de contas, já era crescido, com responsabilidades e um chefe para obedecer (que, por coincidência do destino, é o mesmo gordinho de óculos que sentava ao seu lado na pré-escola).


postado por Monica às 3:12 PM | Ou aqui

Sábado, Abril 14, 2007

Cabelo, cabeleira, cabeludo, descabelado

Quando eu era criança, meu cabelo era tão liso que nenhuma xuxinha parava. Mamãe, coitada, fazia vários experimentos até encontrar um modo de me satisfazer (porque eu, como toda criança, nunca gostava do jeito que ela me arrumava e fazia a maior birra). Lembro do quanto eu odiava aquele cabelo liso, chato, sem opção nenhuma. Mas, como dizem por aí, nada como um dia após o outro.
Não sei exatamente quando aquela coisinha lisa e preta revoltou. Só sei que a liberdade antes encontrada entre um fio e outro foi trocada por uma relação de interdependência, que os tornou muito próximos, enrolando-se. Depois disso, só a chapinha pra alisar de novo. Malditos hormônios.
Esses fios que já foram meio ruivos, meio loiros, curtos e compridos já me irritaram muito. Com certeza, eu já os irritei muito também. Num geral, é relação de amor e ódio mesmo. Apesar de todas as batalhas, a paz finalmente venceu e hoje vivemos pacificamente. Afinal de contas, antes se render ao creme sem enxágüe do que à máquina zero, não é mesmo?


postado por Monica às 3:07 PM | Ou aqui

Monica, 17 anos bem vividos, acaba de se tornar uma vestibulanda (das mais neuróticas). Tem uma gata gordinha, amigos de longa data e um casamento planejado desde os cinco anos de idade. Mais? Orkut


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